Bebê com primeira infecção urinária febril: quais exames pedir antes de encaminhar?
27 de setembro de 2026
A ultrassonografia de rins e vias urinárias é a avaliação inicial nos menores de 2 anos com pielonefrite. Os demais exames, uretrocistografia miccional e cintilografia com DMSA, entram em situações específicas, e não de rotina. Não existe evidência que sustente um protocolo único de investigação.
A sequência proposta pela SBP
Após o tratamento da infecção, o primeiro exame é o ultrassom do trato urinário. Se vier normal e não houver recorrência, a investigação pode parar aí.
A uretrocistografia miccional deve ser considerada diante de evidência de acometimento do parênquima renal ou de infecção urinária recorrente. Se a criança já tem controle miccional, o passo anterior é investigar disfunção vesical e intestinal, que é causa funcional e muito mais frequente que a anatômica.
Confirmado o refluxo vesicoureteral, entram a uroterapia e o tratamento da constipação, com quimioprofilaxia conforme o caso e correção cirúrgica se a infecção persistir.
Por que não investigar todo mundo
Protocolos agressivos aumentam a sensibilidade diagnóstica, mas expõem lactentes a exames invasivos, radiação e ansiedade familiar, com benefício clínico discutível na maior parte dos casos. O prognóstico da infecção urinária é bom desde que o diagnóstico e o tratamento sejam precoces.
Dois pontos que mudam a conduta
- a coleta por saco coletor tem taxa alta de contaminação. Resultado negativo é confiável e descarta; resultado positivo precisa de confirmação por cateterismo ou jato médio antes de iniciar antibiótico
- uso de antibiótico nos 90 dias anteriores, em terapia ou profilaxia, aumenta a chance de resistência, com risco maior se o intervalo for inferior a 30 dias
O tempo de antibioticoterapia na infecção urinária febril é de 10 dias. Havendo resposta clínica e sensibilidade confirmada no antibiograma, não há necessidade de urocultura de controle.
Referência: SBP, Departamento Científico de Nefrologia. Infecção urinária: diagnóstico, investigação e prevenção. Setembro de 2023.
Material dirigido a profissionais de saúde. Escrito e revisado pela Dra. Ana Dahmer, nefrologista pediátrica, CRM-MT 6409, RQE 3798 e 3799.
Voltar para o material técnico