Meu filho toma antibiótico todo dia por causa do refluxo. Até quando?
27 de setembro de 2026
Não existe um prazo igual para todas as crianças. A profilaxia é mantida enquanto o benefício de evitar nova infecção for maior que o custo do uso contínuo, e essa conta muda com a idade, com o grau do refluxo, com a presença de cicatriz no rim e com o funcionamento da bexiga e do intestino.
Por que o antibiótico em dose baixa
A dose usada na profilaxia é menor que a de tratamento. O objetivo não é curar uma infecção, é reduzir a chance de que a urina que retorna em direção ao rim carregue bactéria e cause pielonefrite, que é o que deixa cicatriz.
Proteger o rim de cicatriz é o objetivo central do acompanhamento do refluxo.
O que pesa na decisão de suspender
- o grau do refluxo e se ele diminuiu nos exames de controle
- a idade da criança, já que graus baixos tendem a desaparecer com o crescimento
- se houve infecção durante o uso da profilaxia
- se existe cicatriz renal já documentada
- se a bexiga e o intestino estão funcionando bem
- se a criança já controla o xixi e consegue seguir a rotina de banheiro
O tratamento da constipação e da disfunção da bexiga costuma ser o que mais muda esse cenário. Bexiga que esvazia bem e intestino regular reduzem muito a chance de nova infecção, e isso pode permitir a suspensão.
O que preocupa na família, com razão
O uso prolongado de antibiótico favorece bactérias resistentes, e isso é levado em conta pela equipe. Também é comum a preocupação com o intestino da criança. São pontos legítimos e devem ser conversados na consulta, com a decisão tomada junto.
O que não convém é suspender por conta própria. A retirada tem momento certo e costuma vir acompanhada de um plano de vigilância para os meses seguintes.
Referência: SBP. Infecção do Trato Urinário em Pediatria, atualização do consenso. Setembro de 2021.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada criança precisa de avaliação individual.
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