Enurese noturna: o que o pediatra resolve no consultório e o que encaminha?
27 de setembro de 2026
A enurese monossintomática, sem perda diurna e sem sintomas do trato urinário inferior, é conduta de consultório de pediatria. A presença de sintomas diurnos muda o diagnóstico para enurese não monossintomática, que envolve disfunção vesical e se beneficia de avaliação especializada.
A primeira pergunta separa tudo
Existe perda de urina durante o dia, urgência, manobra de contenção, jato interrompido ou frequência miccional alterada? Se a resposta for não, trata-se de enurese monossintomática. Se for sim, é não monossintomática.
A segunda pergunta obrigatória é sobre o intestino. Constipação não tratada mantém o reto distendido, reduz a capacidade funcional da bexiga e é causa frequente de falha terapêutica.
O que fazer no consultório
- exame de urina tipo 1, para afastar infecção, glicosúria e proteinúria
- diário de noites secas e molhadas por duas semanas, preenchido pela família
- tratamento da constipação, quando presente, antes de qualquer outra medida
- uroterapia: horário miccional regular, postura adequada, ajuste da distribuição de líquidos ao longo do dia
- retirada da cobrança e da punição, que pioram o quadro e não têm efeito sobre o mecanismo
Parte importante das crianças responde apenas a essas medidas, desde que aplicadas de forma consistente por algumas semanas.
Quando encaminhar
- há perda urinária diurna associada
- houve período seco prolongado seguido de recaída
- existem sinais de disfunção vesical ou histórico de infecção urinária
- há poliúria e polidipsia, com suspeita de déficit de concentração
- não houve resposta após três a seis meses de uroterapia bem conduzida
- existe malformação urinária conhecida ou alteração neurológica
Quanto à abordagem específica, alarme de enurese e desmopressina têm eficácia estabelecida, e a escolha depende da rotina da família, da idade e do impacto emocional. Nenhuma das duas funciona bem enquanto a constipação estiver sem tratamento.
Referência: SBP. Disfunção Vesical e Intestinal na Infância. Maio de 2019.
Material dirigido a profissionais de saúde. Escrito e revisado pela Dra. Ana Dahmer, nefrologista pediátrica, CRM-MT 6409, RQE 3798 e 3799.
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