Infecção urinária de repetição ou disfunção vesical e intestinal?
27 de setembro de 2026
Na criança com controle miccional, a causa mais frequente de repetição é funcional, não anatômica. A disfunção vesical e intestinal responde por boa parte dos casos rotulados como infecção de repetição, e o tratamento é comportamental antes de ser medicamentoso.
O que procurar na anamnese
- manobras de contenção, como cruzar as pernas, agachar sobre o calcanhar ou apertar a região
- urgência miccional e adiamento habitual do banheiro, sobretudo na escola
- frequência miccional muito baixa, três vezes ao dia ou menos, ou muito alta
- jato interrompido, esforço para urinar ou sensação de esvaziamento incompleto
- perda de urina durante o dia, mesmo em pequena quantidade
- constipação, escala de Bristol, escape fecal e dor à evacuação
A constipação é o achado mais subnotificado dos três, porque a família não relaciona intestino com urina e não relata espontaneamente. É preciso perguntar de forma dirigida.
Por que isso muda a conduta
A bexiga que trabalha com pressão elevada e esvaziamento incompleto mantém urina residual, que é onde a bactéria se multiplica. Nessa situação, tratar cada episódio com antibiótico resolve a infecção e não resolve a causa, e a criança volta.
Em criança com refluxo vesicoureteral, a disfunção associada piora o retorno da urina e prejudica a resolução espontânea do refluxo. Tratar o funcional melhora o anatômico.
O que já dá para iniciar no consultório
- tratamento efetivo da constipação, com meta de evacuação diária e sem dor
- horário miccional programado, a cada duas ou três horas, incluindo a escola
- postura adequada no vaso, com apoio para os pés e joelhos afastados
- ingestão de líquido distribuída ao longo do dia, concentrada na primeira metade
- diário miccional de dois a três dias, que orienta o que ajustar
Se a repetição persistir apesar dessas medidas bem aplicadas, aí sim a investigação de imagem e a avaliação especializada fazem sentido.
Referência: SBP. Disfunção Vesical e Intestinal na Infância. Maio de 2019.
Material dirigido a profissionais de saúde. Escrito e revisado pela Dra. Ana Dahmer, nefrologista pediátrica, CRM-MT 6409, RQE 3798 e 3799.
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