Criança que teve lesão renal aguda: precisa de seguimento depois da alta?
27 de setembro de 2026
Precisa. O histórico de lesão renal aguda é fator de risco não modificável para doença renal crônica e consta da lista de sinais de alerta da SBP. A recuperação da creatinina na alta não significa recuperação completa da massa de néfrons.
Por que o seguimento se perde
O episódio costuma acontecer dentro de uma internação por outro motivo: desidratação grave, sepse, pós-operatório, uso de nefrotóxico. A alta é dada pelo quadro principal, a creatinina voltou ao valor prévio, e a lesão renal não aparece no resumo com o destaque que teria se fosse o diagnóstico central.
Vale registrar o episódio de forma explícita no prontuário e na caderneta, porque essa informação precisa sobreviver à troca de serviço e de profissional ao longo dos anos.
O que acompanhar
- pressão arterial em toda consulta
- exame de urina tipo 1 procurando proteinúria
- creatinina com cálculo da taxa de filtração glomerular
- curva de crescimento
O intervalo é definido pela gravidade do episódio, pela duração e pela existência de outros fatores de risco somados, como prematuridade ou rim único.
Prevenção a partir dali
A criança passa a integrar o grupo em que anti-inflamatórios e contrastes devem ser evitados. Manter hidratação adequada em quadros de vômito, diarreia e febre deixa de ser conselho genérico e vira medida de proteção renal.
Diante de novo episódio de desidratação, o limiar para reavaliação e para coleta de exames deve ser mais baixo do que na criança sem esse antecedente.
Referência: SBP. Lesão renal aguda (LRA) em Pediatria: vigilância, diagnóstico, prevenção e tratamento. Abril de 2023.
Material dirigido a profissionais de saúde. Escrito e revisado pela Dra. Ana Dahmer, nefrologista pediátrica, CRM-MT 6409, RQE 3798 e 3799.
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