Quais medicamentos de uso comum na pediatria são nefrotóxicos?
27 de setembro de 2026
A nefrotoxicidade é um dos principais desafios da prática pediátrica, com peso maior em terapia intensiva, onde a exposição a múltiplos agentes se soma à gravidade do quadro. Fora da terapia intensiva, os dois agentes mais relevantes no consultório e no pronto-socorro são os anti-inflamatórios não hormonais e os contrastes radiológicos.
Os grupos que mais aparecem
- anti-inflamatórios não hormonais, que reduzem o fluxo sanguíneo renal, com risco maior em criança desidratada, febril ou hipovolêmica
- aminoglicosídeos, com toxicidade tubular dependente de dose e duração
- vancomicina, sobretudo em associação com piperacilina e tazobactam
- anfotericina B
- aciclovir em dose alta e infusão rápida, com risco de cristalúria
- contrastes iodados, principalmente em paciente já desidratado ou com função reduzida
- inibidores de calcineurina, em pacientes transplantados
Quem tem risco aumentado
A recomendação da SBP é evitar medicamentos nefrotóxicos, em especial anti-inflamatórios e contrastes radiológicos, em pacientes de risco para doença renal crônica, o que inclui nascidos prematuros abaixo de 34 semanas e crianças com doença renal conhecida.
Somam-se a esse grupo a criança desidratada por qualquer causa, a que já teve lesão renal aguda, a que tem rim único e a que usa mais de um agente potencialmente nefrotóxico ao mesmo tempo.
Medidas que reduzem o risco
- corrigir a volemia antes de introduzir o agente, sempre que for possível adiar
- preferir analgésico e antitérmico sem ação anti-inflamatória quando o objetivo for apenas febre ou dor
- evitar associações de nefrotóxicos e, quando inevitável, monitorar
- rever a indicação do contraste e da dose diante de função reduzida
- preservar a hidratação, em especial nos pacientes poliúricos
- evitar acesso venoso central e punções desnecessárias
Vale conferir também o que a família usa por conta própria. Anti-inflamatório de farmácia, repetido por dias em criança com febre e ingestão reduzida, é uma combinação frequente e evitável.
Referência: SBP. Nefrotoxicidade em Pediatria: como diagnosticar e prevenir. Abril de 2026.
Material dirigido a profissionais de saúde. Escrito e revisado pela Dra. Ana Dahmer, nefrologista pediátrica, CRM-MT 6409, RQE 3798 e 3799.
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